
Preparação para o discipulado


09 a 16/02/2008
Ser discípulo de Cristo já é uma honra para o ser humano. Mas, ser escolhido Apóstolo, enviado para uma missão especial com as credenciais divinas, não é pouca coisa. Um privilégio que pode tirar a pessoa da normalidade levando-a a se tornar orgulhosa. Se você receber um chamado para servir a Deus, seja na área que for, lembre-se do que Jesus disse à respeito daqueles que são comissionados pelo céu para missões especiais: “Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Mateus 20:25-28 RA). As palavras de Cristo colocadas em paralelo as de Paulo, são um bom antídoto contra a supervalorização de si mesmo: “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” (Romanos 12:3 RA).
Vale lembrar que a missão é especial e não o ser humano que a desempenha. É certo que admiramos certos dons e habilidades demonstradas por alguns discípulos modernos. Mas, na prática, isso apenas traz grandes responsabilidades àqueles que os possuem. No fim das contas, todo discípulo, seja esse comissionado para um trabalho de dimensões globais ou passe a vida no anonimato, tem uma cartilha básica a observar:
a) Deve ser o sal da terra e a luz do mundo. Quer dizer, obrigatoriamente precisa ter diferenciais que alterem ambiente onde são inseridos. O sal tempera o que antes era sem sabor. A luz invade os lugares onde só havia escuridão. E se não for assim, se o discípulo não fizer diferença alguma, não há utilidade para ele assim como o sal sem sabor e a lâmpada escondida debaixo de uma vasilha, não servem para nada;
b) Deve ter o hábito de falar com o Mestre. Segundo a bíblia, o recurso deixado pelo céu para que isso seja possível é a oração. É o que liga o homem a Deus de maneira misteriosa, espiritual;
c) Deve ter consciência de que os tesouros verdadeiros serão repartidos na vida porvir. Nesse caso, embora a nossa tendência seja interpretar o texto enfatizando as vantagens financeiras, talvez seja melhor pensarmos em termos de desejo de recompensas. Quer dizer, para alguns o tesouro que almejam enquanto discípulos pode ser reconhecimento, fama ou outras vantagens e oportunidades que conflitam com o propósito do discipulado.
d) Não deve Julgar os outros. O ato de julgar é composto de três atitudes mentais quase simultâneas: 1. Comparar o indivíduo com algum padrão de conduta; 2. Avaliar se ele é mocinho ou bandido; 3. Condenar ou Absolver. Pode parecer exagero, mas pense bem: Quando julgamos os outros nós quase nunca o fazemos para acentuar suas boas qualidades ou intenções, só as más. De maneira consciente ou não colocamos a outra pessoa no grupo dos perdidos. Isto é, “se ele ou ela não mudarem, se não se tornarem como nós, irão para um lugar bem quente” — pensamos. Então, quando todas as evidências nos autorizarem a saber as razões pelas quais determinada pessoa está agindo dessa ou daquela maneira, lembre-se de que tal tipo de adivinhação não é permitida a nós seres humanos. Deixe o julgamento com Deus que lê os pensamentos;
e) Deve produzir bons frutos. Ser um discípulo acima de tudo é ter a vida transformada pelo discurso e exemplo de vida do Mestre. Caso isso não ocorra, o discipulado se torna suspeito. Afinal, que objetivo haveria em seguir, ouvir e conviver com Jesus Cristo se essa prática não operar modificações em meu comportamento? Somos salvos pela fé e não pelas coisas boas que fazemos como discípulos. Mas, lembre-se que Pedro acreditava em Jesus quando o negou três vezes. Essa fé, no entanto, não serviu para absolutamente nada no momento em que disse não conhecê-lo. Eis a razão pela qual Tiago afirma que “... assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta.” (Tiago 2:26 RA);
f) Deve estar consciente de que o chamado de Cristo e a presença do Espírito Santo não garantem imunidade contra a oposição. O sucesso do discípulo é limitado porque as pessoas têm liberdade para escolher o mal. E, diga-se de passagem, na maioria das vezes o fazem. As palavras de Jesus dispensam explicações adicionais: “O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo acima do seu senhor. Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se o dono da casa foi chamado Belzebu, quanto mais os membros da sua família!” (Mateus 10:24 e 25 NIV);
g) Deve preparar o caminho para que as pessoas recebam Jesus. João Batista desempenhou esse papel. Os setenta enviados por Cristo também. Nós não deveríamos ser diferentes. E se nesse processo experimentarmos a alegria do sucesso, se pudermos ver algo sobrenatural ou presenciarmos milagres, é bom ter em mente que nada disso terá valido a pena se perdermos o céu. Ser discípulo é saber que, no final das contas, o maior objetivo de sua vida é passar a eternidade com seu Mestre.
Pr. Denis Konrado Fehlauer
denis.fehlauer@unasp.edu.br; deniskonrado@gmail.com
Pastoral Universitária
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