
Missão e Comissão


15 a 22 / 03 / 008
Não podemos comprar a vida eterna. Por mais que você faça, pregue ou dê de si mesmo(a) para os outros e/ou para a causa de Deus, nada disso seria suficiente. Simplesmente porque esse não é o método elaborado pelo Criador para se recuperar as perdas do Edem. Então porque Cristo parece definir o destino eterno das pessoas por suas atitudes em relação ao próximo? (veja Mateus 25:31 a 46). Uma idéia esclarecedora está em 1 Coríntios 13. Ali Paulo descreve uma série de boas ações que nada significam sem amor. Mas a pergunta é: então se fizermos boas coisas com amor podemos comprar a salvação? A resposta continua sendo não. O caso é que, se o discípulo for mesmo transformado pelo contato com o divino Jesus Cristo e aprender a amar como Ele amou, uma hora ou outra irá deixar que esse interior transborde em boas ações. Assim como podemos nos tornar sensuais pela contemplação da pornografia, agressivos por admirar a violência, intemperantes por abrir exceções às regras do bom senso, também é possível nos tornarmos mais semelhantes ao Mestre se abastecermos a mente com Suas instruções e práticas. Lembre-se: “Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!” (Mateus 6: 22 e 23 NIV). É uma coisa ou outra. Deus ou o mundo. Se você escolher a Cristo, naturalmente irá apresentar mudanças no seu modo de vida. Passará a amar o ser humano. Assim seu comportamento vai ser semelhante ao daqueles que estiverem à direita de Cristo no dia do juízo, “os benditos de meu Pai”. Quer dizer, o julgamento não está simplesmente nas ações. O problema é mais embaixo, está na base. Na raiz das nossas atitudes. Naquilo que dá origem a elas.
No entanto, esse processo não se demonstra em laboratório. É necessário ter fé. Por isso Jesus foi duro com os discípulos antes de subir ao céu. (veja Marcos 16:14 a 20). A maioria de nós só percebe a própria necessidade quando somos incomodados e retirados da área de conforto. Se você quer viver o discipulado verdadeiro e fazer parte da comissão evangélica, vai ter que experimentar algo que não poderá ver, ouvir ou tocar. Com raras exceções, Deus dispensa o sobrenatural e trabalha apenas através de Sua palavra. Cristo é revelado pelas escrituras. É somente pela bíblia que conhecemos Jesus e a salvação que Ele oferece. Não há outro método pelo qual pudéssemos saber que há uma possibilidade além do túmulo. Foi assim que Deus escolheu se comunicar com o ser humano num mundo de pecado.
Então nossa resposta exige fé. Sem provas. Apenas evidências. Sem negociações ou barganhas. Ele quer somente entrega de nossa própria vida. É uma questão de escolha. Jesus afirmou que não veio ao mundo para julgar, mas para salvar. No entanto, quem escolhe não crer, já está condenado porque decidiu não se unir a única pessoa capaz de lhe dar a vida eterna: Jesus Cristo (João 3:18). Assim, o julgamento (ou a condenação) é uma decisão humana, não divina. Note que a mensagem bíblica que o discípulo deve levar ao mundo pode ser sua própria salvação ou perdição. Antes de proclamar a mensagem, o discípulo deve ser beneficiado pelo perdão e pela salvação oferecidos por ela.
E a mensagem é esta: Cristo morreu em nosso lugar. Pagou o preço exigido por Sua própria Lei. Ela pedia a morte de quem pecasse. O ser humano pecou, devia morrer. Deus não gostou da idéia de ver Seus filhos mortos eternamente. Assumiu a dívida. Pagou com sua própria vida. Se você não quiser, não precisa ficar na sepultura. Basta crer. E se você acha tudo isso muito estranho, lembre-se que “... a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus... Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que crêem por meio da loucura da pregação.” I Coríntios 1:18 e 21. Ser discípulo, às vezes, é parecer estranho demais para o mundo em que vivemos. Mas essa é a verdade que devemos viver e a palavra que precisamos pregar.
Pr. Denis Konrado Fehlauer
denis.fehlauer@unasp.edu.br; deniskonrado@gmail.com
Pastoral Universitária
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