
Desvios no discipulado


1º a 08/03/2008
Deus inventou a religião para Se unir aos Seus filhos. O homem usa a religião para obter privilégios pessoais e disputar poder. Quando o abuso de poder é exercido num ambiente espiritualizado, é fácil maquiar certos exageros. Afinal, basta Deus estar por trás da transação comercial, da decisão administrativa, da pena de morte ou do ato suicida que a vontade divina se torna desculpa para qualquer tipo de comportamento esquisito. É necessário relembrar as instruções de Cristo à respeito do poder pretendido e exercido pelo discipulado: “Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Mateus 20:25-28 RA). Se você quer ter poder, o único caminho legítimo do ponto de vista do cristianismo é usá-lo para servir. Um bom exemplo desse tipo de governo é aquele exercido por Moisés. Ele não queria a liderança, mas, quando assumiu tal posição serviu o povo com prejuízo de si mesmo.
Ao lado do amor ao poder, o desejo incontrolado de obter dinheiro está entre os desvios de conduta que mais destroem vidas. A riqueza não é má em si mesma. Mas a intensidade com que a desejamos e o que estamos dispostos a fazer para consegui-la, podem nos fazer perder o céu. Um dia li a seguinte frase num adesivo colado no vidro de um carro: “Dinheiro não traz felicidade. Então me dê o seu e seja feliz.” Ninguém pode negar que ter recursos financeiros é muito bom. Ou pelo menos imagino que seja, porque nunca tive o quanto queria! A maioria de nós, creio eu, gostaria de ter mais. Realizar um sonho aqui e outro ali não é pecado. O problema começa quando tal desejo nos faz sair da normalidade. Vale a pena lembrar que esse é um problema comum a todas as classes sociais. O rico pode viver com medo de perder o que tem. Talvez por isso não consiga repartir com ninguém. E se puder, irá tirar de quem tem menos. O pobre por sua vez pode viver com inveja de quem tem. Talvez roubasse ou até matasse para conseguir melhorar de vida. São essas atitudes, do rico ou do pobre, que podem transportar uma pessoa do discipulado verdadeiro para o abuso das coisas sagradas. Não importa nossa classe social. Precisamos estar conscientes de que a fé (dos outros) nunca deve ser usada como meio de satisfazer desejos pecaminosos desse tipo.
Outro desvio do discipulado se encontra na atitude de certos justiceiros. Tem gente por aí que pensa ser o único ser sobre a terra capaz de defender a Deus e sua causa. Em geral essas pessoas imaginam ser, no mínimo, melhores do que seus semelhantes. E é sobre essa suposta plataforma de santidade que se sentem no direito de encomendar a alma alheia ao inferno. Veja Tiago e João. Esses discípulos queriam chamar as labaredas celestiais para sapecar os samaritanos (Lucas 9:51 a 56). Mas noutra ocasião estavam tentando passar a perna nos demais discípulos, pretendendo ocupar os melhores lugares no futuro reino de Cristo (Marcos 10:35 a 41). Arão é outro bom exemplo. Ele se uniu a Miriã nas murmurações e acusações contra Moisés. Mas, se esqueceu que enquanto seu irmão estava no monte Sinai, ele (líder interino) cedeu aos apelos do povo e fez o Bezerro de ouro que tanto desagradou a Deus. Portanto, não devemos nos esquecer de que o modelo do Trovão sempre tem uma palavra a dizer sobre tudo e todos. Mas, no fim das contas, em sua própria vida há o que se poderia censurar.
Pedro não parecia ser o tipo que queria punição imediata para todo mundo. Em compensação era arrogante e cheio de si. Acreditava que tudo era possível enquanto estivesse no controle. Infelizmente não se conhecia o suficiente. Daí sua ruína. No entanto, o arrependimento dele parece ter sido tão intenso quanto suas cabeçadas. E aí está o segredo do sucesso. O problema não é errar. As mancadas são inevitáveis enquanto estivermos num mundo de pecado. E quem pensa diferente está seguindo o mesmo caminho perigoso percorrido pelo Pedro super-herói. O verdadeiro problema está em persistir no erro, assim como Judas. O arrependimento move o pecador na direção da pessoa ofendida a fim de consertar as coisas. O pecador arrependido tem o desejo de mudar de vida e não mais repetir seus fracassos. Um texto bíblico que pode nos ajudar nesse processo é 1 Coríntios 10:13: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.” Não precisamos pecar, mas para isso a única saída será buscar em Deus o livramento. Depois é só ranger os dentes e suportar a pressão. Foi dessa forma que o Divino combinado com o humano funcionou na vida do Pedro arrependido. E assim ele não somente aprendeu, mas nos deixou um exemplo de sucesso.
Não apenas Pedro, mas todos os discípulos cada um a sua maneira, tiveram de passar pelo processo do aprendizado. Enquanto estavam perto de Jesus tudo era tão estimulante que não prestaram atenção naquilo que deveria prepará-los para o pior. Ou quem sabe não estivessem dispostos a ouvir e/ou acreditar que a história mágica que estavam vivendo, teria um final tão desastroso (pelo menos na maneira de entender deles). O fato é que negligenciaram o período de preparo para enfrentar a paixão e morte de Jesus. E na hora da decisão, fugiram. Estamos em tempos de paz. É o momento de viver o verdadeiro discipulado. Há oportunidade e informação suficientes para nos prepararmos para as dificuldades que virão antes da eternidade. Qual será a sua decisão? Como você usa seu tempo? Onde e como gasta suas energias e dinheiro? A esta altura dos acontecimentos vale a pena recordar o conselho bíblico: “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta,” (Hebreus 12:1 RA). Verdadeiro discipulado é viver - sem desvios - o que nos está proposto. Não é fácil. Mas é o único caminho para o céu.
Pr. Denis Konrado Fehlauer
denis.fehlauer@unasp.edu.br; deniskonrado@gmail.com
Pastoral Universitária
UNASP Campus SP
|
Usted es el Visitante
|