
Missão e Comissão


15 a 22 / 03 / 008
Somos justificados, ou seja, perdoados pela fé. Parece que esta frase se tornou uma expressão com a qual temos que concordar. Posso raciocinar com você para ver se você só aprendeu a concordar ou se você crê nesta verdade do fundo de seu coração?
Sou justificado pela fé e nenhuma boa obra pode me justificar nem recomendar diante de Deus, certo? Sou salvo pela fé e não por boas obras. Mas será que sou condenado por más obras? Se eu praticar más obras, me perderei por causa delas? Sim?
Não!!! Somos justificados pela fé e condenados pela falta de fé. As obras não têm poder de provocar em nós nem salvação e nem perdição.
A confiança em Deus (fé) e naquilo que Ele providenciou como solução para o pecado e a culpa é que nos salva. A falta de confiança em Deus e naquilo que Ele providenciou para nos salvar nos traz a perdição.
Boas obras e más obras são apenas o transbordamento do coração. Um coração confiante em Deus produz obras que traduzem e evidenciam essa confiança. Um coração resistente e rebelde contra Deus evidencia aquilo que a rebeldia e desconfiança ou indiferença contra Deus produz no coração.
Até aqui está claro, não é? A salvação vem pela fé, "não por obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2:8-9). Para que servem as boas obras, então? Sim, elas são uma evidência da confiança que está em seu coração. Mas para que serve?
Mateus 5:16 diz: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos Céus." Quer dizer que nossas boas obras não trazem salvação para nós, mas podem trazer salvação para outros. Se as minhas boas obras levam outras pessoas a reconhecerem a Deus e glorificá-Lo, elas servem para a salvação de outros.
Fé é a mão invisível que estendemos tentando alcançar um presente de Deus estendido gratuitamente para nós.
Muitas pessoas dizem que há apenas um meio de resolver o problema do pecado. Discordo! Há duas maneiras! 1) você pode pagar com a sua vida pelo pecado. Mas não sobra troco para a salvação. 2) você pode aceitar o pagamento que Jesus fez pelo seu pecado e aceitar a vida como presente. É isto que o apóstolo Paulo diz escrevendo aos Romanos 6:23. "O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus."
Mas este é apenas o primeiro passo. Devo receber confiante e livremente a salvação. Há pessoas que foram aprisionadas de tal maneira, que aceitam sair de uma prisão apenas para entrar em outra. Explico:
Conheci um homem que havia estado 27 anos na prisão. Quando recebeu liberdade condicional, sentia saudades da prisão. "Lá dentro eu era alguém!" dizia ele. "Aqui fora não sou ninguém e as pessoas ainda me desprezam!"
Muitos deixam a prisão do pecado para se colocarem em uma prisão religiosa. Há aqueles que não entendem a liberdade trazida por Jesus. Não experimentam uma vida livre. Talvez aqui alguém se choque, outro ache que pode tirar vantagem daquilo que direi. Se você não está completamente livre para pecar e se rebelar a qualquer momento, é porque ainda não experimentou a libertação da salvação que vem pela fé.
Quero dizer que, aqui e agora, posso deixar de ser cristão e pastor. Tenho completa liberdade para hoje me decidir por uma vida completamente rebelde contra Jesus. Não há nada que me prenda ou manipule ou obrigue a continuar, a não ser a minha livre decisão. A única coisa que pode me constranger é o amor de Deus (2 Co 5:14).
É esta liberdade que a salvação me traz. E é esta salvação libertadora que devemos pregar para as pessoas e ajudá-las a encontrar maturidade cristã em plena liberdade, sem manipulação ou prisão religiosa.
Você sabia que sua vida vai invariavelmente seguir as suas crenças? Conforme discutido na semana passada, aquilo que você crê vai ser o guia de sua vida, quer você se dê conta disto ou não, quer você decida ou não.
Gosto de convidar as pessoas a serem intencionais naquilo que crêem, e que construam com a ajuda de Deus e de Sua Palavra, a fé no Deus verdadeiro que vai guiar sua vida. A guia de Deus é maravilhosa e libertadora, pois está baseada na lei do amor.
Drama e discipulado no tempo do fim
Um empresário me disse certa vez: "Não me impressiono com ninguém que trate bem seu chefe ou uma pessoa de destaque na sociedade... Fico impressionado quando homens e mulheres que têm uma posição de destaque e poderiam pisotear o mais fraco, por decisão não o fazem; ao contrário os servem humildemente."
Esta é a posição em que Deus pode transformar nosso testemunho em poder para Seu reino.
O contexto de Mateus 25 fala do tempo do fim. Jesus descreveu as lutas e dificuldades do tempo do fim e nos orienta como discípulos especiais, isto é, discípulos do tempo do fim. Neste tempo do fim, Ele está falando conosco, igreja de Laodicéia, igreja morna, indiferente e que acha que tem tudo. Por ter de tudo, acha que não precisa levar o evangelho mesclado com assistência social aos que precisam. Sim, é em meio ao conflito final que somos chamados a servir para conquistar pessoas para Cristo.
Há uma onda por aí, comentada anteriormente. "Vamos fazer de nosso mundo um mundo melhor." Não é esta a função principal dos cristãos, discípulos de Jesus no tempo do fim. Nossa função é, em meio às batalhas espirituais finais, apresentar a libertação em Jesus Cristo. A libertação que Jesus veio trazer não é principalmente a de libertar as pessoas da fome e pobreza material. Mas como falar da libertação maior, com a fome corroendo o estômago? Como falar do pão da vida se não for materializado pelo pão físico? Como falar da libertação espiritual se não vamos visitar os encarcerados? Como falar do calor do amor de Deus para pessoas que estão passando frio? Por isso, a Bíblia diz em outra parte: "A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo" (Tg 1:27). Este texto, somado ao de Mateus que estamos estudando, nos dá o panorama geral, e mostra que Jesus Se manifesta e Se revela através de nossos atos de bondade.
"Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens, sendo manifestos como carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração" (2Co 3:2-3). Se as pessoas não conseguirem ler quem é Deus em nossa vida e em nossos atos, como verão que somos salvos? Como verão o caminho sobremodo excelente a ser percorrido? Como serão motivadas e desafiadas a seguir Aquele que realiza tudo em todos?
A comissão em Marcos
A fé em ação é a marca registrada do verdadeiro discípulo de Jesus.
Interessante é que, quando os discípulos saem em ação audaciosa e corajosa, eles entram no terreno do inimigo para buscar e resgatar aqueles que pertencem a Deus e, em meio a este embate, alguns dos sinais descritos em Marcos os acompanharão em uma ou outra situação.
Lembro-me de diversas situações nas quais fui exposto a demônios que dominavam a vida de pessoas. Tive que aprender línguas novas, e orei por pessoas e Deus as abençoava conforme Sua vontade. Quantas pessoas vi que, se dispondo a servir, foram usadas de maneira maravilhosa! Quantas pessoas encontrei cuja experiência com discípulos se multiplicou em vigor e felicidade, depois que iniciaram uma jornada de serviço ao próximo, para a salvação do próximo!
Será que, se esse empenho foi visto na vida de tantos, não pode ser visto em sua vida também?
Discipulado e o evangelho
Há um evangelho eterno a ser pregado. Deus sempre cumpriu aquilo que prometeu. O evangelho libertou, agiu, restaurou e impressionou corações e mentes desde a fundação do mundo.
As boas obras que não forem acompanhadas da descrição dAquele "que fez o céu a terra, e o mar, e as fontes da água..." não levarão as pessoas a temerem a Deus e dar-Lhe glória e não estarão preparadas para a hora de seu juízo.
Cada um recebeu um ou mais dons do Espírito Santo para servir. Uns são pregadores, outros são professores, outros, profetas... Efésios 4; Romanos 12; 1 Coríntios 12 descrevem e listam os dons do Espírito. É verdade que os dons foram distribuídos e que há pessoas que não têm o dom da pregação do evangelho.
Mas pense comigo: existe o dom da oração, da liberalidade, do serviço... Será que apenas os que têm o dom da oração devem orar? Será que apenas os que têm o dom da liberalidade devem ser generosos em suas ofertas, dízimos e doações?
Claro que não! De idêntica maneira, todos são chamados a pregar o evangelho ou pelo menos colaborar com a pregação.
No início de minha jornada cristã, eu sempre fazia sociedade com pessoas com dons complementares aos meus. Havia uma senhora em Maringá – PR, Marilda, que tinha a habilidade de arrebanhar pessoas. Com carinho todo especial, ela fazia coisas gostosas para comer, um suco para beber, e chamava a vizinhança para um lanche. Minha parte era dar estudos bíblicos para todas aquelas pessoas que ela convidava.
Nesta parceria fundamos uma igreja que hoje tem pelo menos 150 membros. A Marilda crê que a promessa "crê no Senhor Jesus e será salvo tu e tua casa!" se cumpriu na vida dela. Ela ganhou o marido descrente conforme a Bíblia o recomenda, e eu fui beneficiado descobrindo e desenvolvendo meu dom.
Como adventistas, temos que descobrir muito mais os nossos dons, mas principalmente usá-los em equipe, em trabalho conjunto, sem estrelismo e sem política para a honra e glória de Deus.
Testemunhas
Ter visto e ouvido o Senhor Jesus deve ter sido um privilégio tremendo. Eu gostaria de ter sido um dos 12 discípulos. Muitos acham que teria sido mais fácil seguir a Jesus como os discípulos o fizeram. Eu, durante muito tempo, também pensei assim. Certo dia, li o confronto de Jesus com Tomé, e como o Senhor declarou: "Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram" (Jo 20:29).
Parece que nós, cristãos do século 21, somos multiplicadamente bem-aventurados:
1. Somos a geração de discípulos do tempo do fim. Vamos ver coisas maravilhosas no cumprimento profético. Não apenas vamos ver, mas vamos ser parte da última geração e dos últimos acontecimentos.
2. Somos bem-aventurados por que não vimos. E para ver hoje, com as milhares de ilusões e enganos, é preciso ter olhos da fé treinados em ver as maravilhas de Jesus.
3. Temos uma mensagem mais completa que qualquer outra geração de discípulos. Esta mensagem nos protege dos enganos ardilosos de Satanás. Os cristãos que não crêem na providência profética de Deus para este tempo, crerão em Jesus, sim, mas estarão expostos às dezenas de armadilhas que Satanás reuniu em sua experiência de 6 mil anos para derrubar, se possível, os escolhidos.
Somos bem-aventurados porque, mais que qualquer outra geração, temos que andar pela fé. E apenas o justo viverá pela fé.
Há muitos membros de igreja, mas poucos discípulos que vivem pela fé. A qual grupo você pertence?
Dr. Berdnt Wolter
Professor de Missiologia no SALT-Unasp Campus 2
E-mail: berndt.wolter@unasp.edu.br
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